O MOTIVO NÚMERO 1 PARA TER AMIGOS

19.9.19

Evelyn Ribeiro

A internet é um grande avanço tecnológico, nos dias de hoje podemos usar como lente para perceber o comportamento humano. A relação com a velocidade e a quantidade de informações em conjunto com as interações virtuais deixam muito claro os novos princípios que norteiam as reações das pessoas. As vitrines chamadas redes sociais expõem o dia a dia alheio na tela do celular e a interação se dá por meio das reações ao que as barras de rolagem nos revelam.

Os eventos sociais reais (de “carne e osso”) ainda acontecem, mas muitas vezes só para colaborar com o conteúdo que vai preencher as lacunas de fotos e vídeos da próxima publicação. O sucesso é medido por visualizações, likes e, não mais o número de amigos virtuais, mas de seguidores e inscritos. Além disso, a possibilidade de expor qualquer opinião com a proteção de uma tela a sua frente despertou o senso crítico das pessoas.

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A sensação de “dar a cara a tapa” sem correr o risco de levar o tapa colocou em evidencia a parcialidade diante de qualquer assunto. Os brasileiros puderam sentir isso de forma mais clara na época das últimas eleições presidenciais. Esse tempo foi um grande exemplo dos conflitos e separações sérias de amizades até mesmo entre a própria família.

A fragilidade dos relacionamentos e o individualismo ficou evidente de uma hora para outra. A efemeridade de conceitos considerados como verdadeiros também aparece em meio a essas tecnologias numa conversa sem final onde impera um relativismo estranho. A discussão de que algo verdadeiro para um indivíduo pode não ser verdadeiro para o outro se mescla com o direito de impor a própria opinião a qualquer custo e com a chance de nomear o outro de extremista.

O que fica evidente quando fazemos essa leitura é que os valores eternos tem perdido o próprio significado de eternidade.


Como falar de algo que permanece por tanto tempo com alguém moldado pelo imediatismo de tudo ao alcance de um clique? Como estabelecer valores constantes se a velocidade das informações em tempo real trazem tanta rapidez para conhecer tudo? Como construir algo que permaneça com alguém que vê a fragilidade dos relacionamentos e se desfaz de amizades como se jogasse fora uma roupa que não lhe serve?

De qualquer forma, o conceito de eternidade nunca foi entendido por completo pela mente limitada do ser humano, mas a fé nos auxilia a ter uma ideia e concebe-la dentro do evangelho. O difícil é dialogar com os jovens que estão sempre com as perspectivas em movimento. Porém, o que a Bíblia sempre nos traz é um contexto de permanência e interação. Mas uma interação real, não virtual. Os relacionamentos são a base do cristianismo.

A proximidade com as pessoas, o dedicar de uma vida em favor do outro, a consideração humilde, a piedade e o serviço estão diretamente ligados ao que se diz respeito a viver como um cristão. De acordo com Dave Kraft no livro Líderes Que Permanecem, “Há quatro chamados que posso identificar: o chamado para salvação, o chamado para o discipulado, o chamado para o serviço e o chamado para a liderança”. Todos esses chamados envolvem o relacionamento, seja ele com Deus ou com o próximo.

A todo momento as instruções de Cristo se referem ao nosso relacionamento com o Pai, mas também ao nosso relacionamento horizontal, com o próximo. Isso é evidente no chamado que o homem recebe com relação a fazer discípulos:

Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28.18-20)

O primeiro chamado que nos é feito é o chamado a Salvação.

Em Mateus 11.28, Jesus estende sua oferta aos que estão cansados de buscar a salvação pelo próprio esforço: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês”. O contato com o Deus que é amor se dá de maneira relacional, precisamos ouvir o chamado e ir até ele num movimento de entrega e rendição.

Não há uma maneira de obter a salvação sem que a restauração do seu relacionamento com Deus não aconteça. Não há como entender o senhorio de Cristo e se submeter a Ele sem uma interação profunda.

Independente da sensação que o entendimento dessa ideia possa causar em alguém, é preciso considerar o tipo de sociedade em que vivemos e o valor dado aos relacionamentos nos dias atuais.

A prática do evangelho permeia o convívio. São vários os textos que transmite a ideia de mutualidade e de corpo de Cristo. A palavra discípulo faz referência a um tipo de aluno, mas o conceito vai além de alguém que comparece a uma sala de aula de um determinado curso ou matéria e recebe o conteúdo de um professor.

O discipulado pressupõe um acompanhamento mais de perto, um caminhar em conjunto e uma instrução conforme as situações aparecem.

Enxergamos o direcionamento de Deus para esse tipo de educação quando Ele orienta o povo de Israel em Deuteronômio 6.4-9. A completude da instrução é exemplificada por atividades comuns do dia a dia daquelas pessoas, quando em casa, andando pelo caminho, ao se levantar, ao dormir. Em nenhum momento o relacionamento entre o que ensina e o que aprende é negado. A necessidade do convívio é intrínseca.

O próprio Cristo mostrou na prática os efeitos desse método. Escolheu homens para uma caminhada lado a lado e o ensino acontecia conforme o que lhes passava. Os caminhos por onde andavam e os lugares que chegavam serviram de repertório para novas lições, assim como o contato com os gentios e os milagres que Jesus fazia traziam perguntas a mente daqueles homens. Sua relação com a Lei judaica e os momentos nas sinagogas também serviram como tempos de aconselhamento e orientação. Por mais que os discípulos de Jesus tenham cometido seus erros e não foram capazes de compreender tudo o que lhes estava acontecendo, foram eles os percursores do evangelho. São os responsáveis por começarem a expansão do cristianismo e o estabelecimento da igreja. Dentre esses homens tão importantes para a fé cristã, encontramos a figura do apóstolo Paulo. Homem que foi acompanhado de perto por Barnabé (Atos 13) e que mais tarde pode praticar o mesmo processo com Timóteo.

A intensidade e diferença desse tipo de acompanhamento na vida de alguém que entende o propósito o leva a fazer discípulos também. E esse entendimento anda em conjunto com a ordem de fazermos discípulos de todas as nações. Um bom discípulo tem a tendência de ser um bom discipulador. Este tipo de preparo tem seu caráter lógico quando paramos para refletir no conteúdo. A Palavra de Deus nos instrui para a vida em sua completude. Não há um único assunto a ser abordado, mas um modo de vida que precisa ser vivido.

São escolhas e atitudes que precisam demonstrar a decisão de viver por Cristo, não um conjunto de ferramentas e habilidades de que te tornam apto a ser cristão, mas uma mudança de mente.


Podemos ilustrar a necessidade de acompanhamento de um novo convertido com a necessidade de cuidado, proteção e ensino de uma criança. Ela tem poucas ideias sobre o que é a vida e mínimas experiências. Sua extrema dependência de alguém faz com que os pais se responsabilizem totalmente pelos primeiros passos do filho. Semelhantemente, alguém que acabou de se deparar com o a realidade do evangelho precisa de ajuda na nova caminhada, afinal a pessoa vivenciou um novo nascimento. Sua mente foi transformada e pela primeira vez ela tem o auxílio do Espírito Santo para fazer escolhas sem o pecado.

A orientação desses primeiros passos deve vir de alguém que já tem uma caminhada com Cristo e vivenciou essa nova vida.


Ler a atualidade é muito relevante, mas sem esquecer que é preciso transpor os novos costumes de individualismo e fragilidade de relacionamentos para chegarmos ao que Deus nos ordena. Tanto a atividade de pregar a palavra quanto o caminhar junto do discipulado nos desafia a enfrentar a ideia de andar sozinho. Precisamos uns dos outros para crescer e nos aperfeiçoar. Esse é o motivo número 1 para ter amigos.

Precisamos de orientação do Espírito para não pecar. Precisamos do sacrifício de Cristo para nos salvar. Precisamos do amor de Deus para viver. Não dá para não depender de alguém.

E o que você acha das amizades?
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Texto para leitura em espanhol.

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